Petição por checagem de fatos em debate da Globo alcança 400 mil assinaturas

Cobrança surgiu depois do encontro na Band, quando declarações de ambos os candidatos foram contestadas por serviços de checagem.

Um abaixo-assinado que exige da TV Globo a checagem de fatos em tempo real durante o último debate presidencial do segundo turno ultrapassou 400 mil assinaturas nesta terça-feira (20). Às 18h57, a petição criada por Rafael Brito na plataforma Change.org registrava 404.779 apoios verificados. O debate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) está marcado para sexta-feira (23).

Os signatários querem que a emissora disponibilize uma equipe especializada para verificar declarações dos candidatos e esclarecer eventuais informações falsas durante a própria transmissão. A mobilização começou na segunda-feira (19), após o confronto promovido pela Band no domingo (18), quando ambos os presidenciáveis apresentaram afirmações posteriormente contestadas por serviços de checagem.

O abaixo-assinado tem entre seus destinatários o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o presidente da Globo, João Roberto Marinho, o diretor-geral de Jornalismo da emissora, Ricardo Villela, e o jornalista César Tralli, responsável pela mediação do encontro. A petição defende que os debates ofereçam aos eleitores condições para avaliar a veracidade das informações apresentadas pelos candidatos.

Na justificativa, Brito aponta os desafios impostos pela disseminação de desinformação e cobra maior responsabilidade editorial das emissoras. “A imprensa não pode se limitar a oferecer microfones. Precisa assumir sua responsabilidade com a verdade”, escreveu.

O organizador também cita os debates presidenciais dos Estados Unidos em 2016, quando redes de televisão recorreram à verificação simultânea de declarações. Brito argumenta que a adoção desse procedimento poderia ampliar a capacidade dos eleitores de identificar informações incorretas.

“A verdade não pode ser relativizada dentro de um veículo de imprensa. Uma mentira não pode receber o mesmo tratamento que um fato comprovado. A imprensa é guardiã da democracia e deve ser responsável. O povo brasileiro tem direito a eleições limpas, transparentes e livres da manipulação informacional”, conclui.

Debate da Band

O encontro de domingo entre Lula e Flávio foi marcado por ataques pessoais e acusações sobre corrupção, economia e segurança pública. O debate foi acompanhado, por iniciativa própria, por agências de checagem, que posteriormente divulgaram em suas próprias páginas as principais informações incorretas dos candidatos.

Entre as declarações contestadas, Flávio atribuiu a Lula e à primeira-dama Janja gastos de R$ 7 bilhões com viagens, valor que, na realidade, corresponde a despesas de diferentes órgãos do governo federal. Lula, por sua vez, errou ao dizer que a economia brasileira só voltou a crescer acima de 3% depois de seu retorno à presidência, em 2023, embora o PIB também tenha superado esse patamar nos governos Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro.

(Da Redação)

(INF.\FONTE: Congresso em Foco \\ Congresso em Foco)

(FT.\CRÉD.:  Renato Pizzutto/Band \\ Divulgação)